O câncer de próstata é o segundo tipo de tumor que mais atinge os homens, logo atrás do câncer de pulmão. Atualmente, por conta dos exames de rastreamento como o PSA e o toque físico retal, grande parcela dos pacientes tem a oportunidade de realizar o diagnóstico precoce, com altas chances de cura. Quando o tratamento não ocorre no início, a doença já está mais agressiva e alguns pacientes desenvolvem o que chamamos de tumor avançado e metastático.

Nos últimos 10 anos, felizmente, a medicina tem avançado bastante no tratamento destes pacientes. Há melhoras notáveis nas técnicas cirúrgicas e diversos medicamentos que podem prolongar a vida, com qualidade, por muitos anos.

No que diz respeito ao tratamento local, a cirurgia, antigamente contra-indicada, mostrou benefício nos pacientes com doença localmente avançada. E, recentemente, até pacientes com doença metastática de pequeno volume podem se beneficiar. Neste caso, os dados iniciais de estudos são promissores, mesmo a cirurgia ainda não sendo a primeira indicação. A radioterapia também tem evoluído e, quando associada à hormonioterapia (medicamentos que suprimem a testosterona e causam regressão do tumor), pode ajudar nos casos localmente avançados. Em pacientes com metástases, também contribui no controle dos sintomas e até na sobrevida.

Como efeito de comparação, há 10 anos a medicina só oferecia como opções de tratamento para pacientes metastáticos a hormonioterapia e a quimioterapia (medicação chamada docetaxel). De lá pra cá, surgiram diversas medicações que prolongam a vida do paciente com boa qualidade. A abiraterona foi a primeira e, na sequência, vieram a enzalutamida, o radium-223 e até uma vacina contra o câncer. Todas essas drogas mostraram resultados promissores como segunda e terceira linha no tratamento do câncer de próstata metastático.

O docetaxel, que é um quimioterápico conhecido para câncer de próstata mostrou-se eficaz como primeira linha de tratamento em conjunto com a hormonioterapia. Entretanto, ele é eficaz em pacientes com doença metastática de alto volume, ou seja, com muitas metástases. Além disso, ele é um quimioterápico com todas as preocupações e efeitos colaterais que este tipo de medicação carrega.

No último congresso americano da Associação Americana de Oncologistas Clínicos (ASCO), realizado em maio (2017), foram apresentados dois trabalhos (estudos clínicos em pacientes) com uso da abiraterona como tratamento de primeira linha no câncer de próstata metastático. Eles obtiveram uma reposta muito superior ao tratamento convencional somente com hormonioterapia. Pelo resultado ter sido surpreendentemente bom, a pesquisa adiciona uma opção mais razoável para o paciente. Sendo assim, em vez de utilizar um quimioterápico como primeira escolha, o paciente pode utilizar uma medicação (abiraterona) oral com menos efeitos colaterais e mais fácil de tolerar.

Diante dessas novidades, como médico urologista com larga experiência em oncologia, gostaria de deixar uma palavra de esperança para os pacientes com doença de próstata avançada ou metastática: as opções de tratamento são muitas e estão cada vez melhores. Hoje posso afirmar que é possível, sim, conviver com a doença, viver mais e, principalmente, com qualidade. Com certeza novas descobertas irão chegar, trazendo mais esperança para os pacientes e seus familiares.

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